Deusa de Barro

Rogerio Galvao

Compositor: Rogerio Galvao

Mãos que amassam o barro frio do chão
Onde a terra se torna carne, sustento
Observa a curva exata do seu ombro
Como quem olha a linha de uma montanha antiga

Não apressa o movimento das placas tectônicas
Sou apenas um pó que repousa no teu rastro
Viajante que esqueceu o caminho de volta
Para contemplar a força de um rio que não para

O sangue corre como seiva sobre a pele de ouro
O ritmo aumenta no peito, como maré cheia

Deusa feita do centro do meu silêncio total
Teu olhar tem a fundura de oceano escuro
Onde a luz se perde
Descansa

És a lei que rege a semente, o raio
A geometria sagrada de um mundo que dança
Barro e ouro
O peso da terra no seu passo lento
Brilho do metal no teu riso aberto
Silêncio e Sol

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